depois de alguns dias de suspeita, confirmei hoje que não estou grávida. na verdade, fiquei mais aliviada do que chateada, pois caso estivesse grávida, este filho não teria sido planejado como foi o primeiro. claro que um filho do homem que amo, que mantém comigo (e eu com ele) um relacionamento estável (apesar dos altos e baixos absolutamente normais), numa situação financeira minimamente razoável (se considerarmos a situação geral do país), seria sim (definitivamente) um filho bem vindo e festejado. mas eu não queria agora.
ainda não vai ser agora que o meu filho vai ganhar um irmão. lamento por isso. quero muito que o meu filho tenha pelo menos um irmão (ou irmã). se fosse possível financeiramente eu teria uns 5 filhos, com certeza. mas isso não vai poder acontecer. aliás, as pessoas já me acham louca por querer ter 3, mas eu acho que irmãos são fundamentais!
eu tenho vários. e os amo demais, apesar de estar um tanto quanto distante. outro dia li um texto a respeito e fiquei muito sensibilizada. eu tinha uma relação meio maternal com eles. apesar de ser a caçula, quando ainda morava com eles eu sempre procurei cuidar de cada um, checar se estavam bem e se não estivessem tentava fazer algo. depois, um a um eles levantaram vôo e foram cuidar da própria vida e eu fiquei.
fui quase a última a sair do ninho. quando saí parece que deixei por lá alguma coisa pois passei a me preocupar mais comigo e menos com eles sem, no entanto, nunca deixar de amá-los. meus olhos se enchem de lágrimas só de escrever isso. eu já pensei muito sobre isso. eu me cobro por achar que deveria estar mais junto deles, mas é como se eu precisasse me distanciar para poder me concentrar na família que estou formando. ah, não sei... acho que estou falando bobagem... talvez isso seja só uma desculpa.
de qualquer forma, é fato que temos um vínculo muito forte, que se comprova em nossos encontros. passamos momentos muito ruins juntos. fomos fortes e eles me deram as maiores provas de amor certa vez quando estive muito doente. também rimos muito juntos. e brincamos e batemos um no outro e nos sacaneamos e puxamos nossos cabelos e fizemos nossa vó se descabelar e levamos muitas palmadas e inventamos códigos familiares, piadas internas e choramos muito e comemos muito e rimos muito... e estamos vendo crescer nossa descendência.
é por essas e outras que eu quero dar irmãos a meu filho.
contudo, ainda tenho algum tempo antes do meu relógio biológico dar o alerta vermelho para providenciar um irmão (ou irmã) para o meu menino. por enquanto, vou treinando bem pra fazer outro tão bonitinho (a) quanto ele...

imagem de: http://psnl.fotoblog.uol.com.br/
não é ano novo nem nada, mas eu tomei algumas resoluções para melhorar a minha vida. bem, é verdade que ficaram de fora algumas questões importantes (parece que ainda não será desta vez que vou parar de roer unha, nem de dar muita atenção a certas bobagens...), mas também não se pode querer tudo de uma vez só, né?
são coisas simples e até óbvias, como: melhorar meu guarda roupa, organizar definitivamente gavetas de papéis, fazer aquelas coisas que estão a milênios esperando pra serem realizadas, jogar fora coisas velhas e/ou sem uso. tudo o que já sabia que deveria ser feito, mas que não fazia sabe-se lá porquê.
já comecei com as arrumações. roupas, sapatos, papéis, caixas, tralhas... revirar isso mexe muito comigo. cada peça me lembra de algo, remete a um certo dia, a alguém. mas livrar-se delas me deixa mais leve, mais livre. é como se eu fosse um caderno que teve as suas páginas rabiscadas arrancadas, mas que agora tem todo um conjunto de páginas limpas, disponíveis para novos rabiscos.
e aqui estou, totalmente disponível para coisas novas. então, que venham!
eu tenho uma mania estranhíssima que quase ninguém sabe. é uma espécie de simpatia mórbida. outro dia mesmo me peguei recorrendo novamente à ela para "salvar" meu filho e a babá.
desde pequena, quando alguém querido se demorava demais, eu ficava com medo de ter acontecido alguma coisa e a pessoa não voltar nunca mais. geralmente eu tinha estes sentimentos quando algum dos meus irmãos passava demais da hora de chegar mas, com o tempo, estendi a outras pessoas: já senti o mesmo por amigos (especialmente dr. all, que morou comigo), pelo meu marido e uma vez até por um chefe que "sumiu".
o lance é o seguinte: quando eu me dou conta da demora da tal pessoa e vem aquele medo de que alguma coisa ruim possa ter acontecido, eu preciso desenvolver esta história na minha cabeça. então eu começo a divagar sobre a possível desgraça e fantasio o que aconteceria depois. por exemplo: a pessoa foi atropelada e está muito mal, mas ninguém sabe quem ela é pois a bolsa voou e ela ficou sem documentos, então ninguém terá como avisar a família, depois a pessoa morre e eu nunca saberei exatamente o que aconteceu, daí eu imagino a falta que a pessoa me fará, como seria a minha vida sem ela, etc...
eu sei que é super esquisito, mas é como se vivenciando este sentimento ruim eu purgasse alguma coisa lá não sei aonde, evitando assim que o pior aconteça com aquela pessoa.
não, não é voluntário. não faço isso pensando em fazer isso. simplesmente acontece. não sei como começou, nem quando, nem porquê. que doideira, né?

e mais não digo.

imagem de: http://epellik.fotoblog.uol.com.br/
"ainda bem que você vive comigo, porque senão como seria esta vida?" o marido viajando a trabalho e eu aqui já morta de saudades em menos de 24 horas da sua ausência. juntos, somos uma dupla e tanto. somos os desaforados! espertos, queridos, desalmados, bem amados, críticos. tom e jerry, bonnie & clyde, tarcísio e glória, arroz com feijão.
hoje eu sou apenas uma parte. "eu sou neguinha"!!! meio esperta, um tanto querida, levemente desalmada, mais ou menos amada, um pouquinho crítica. não tenho que perseguir nem ser perseguida, não tenho como cometer meus crimes, não tenho com quem contracenar, não tenho complemento. sou apenas eu.
ah, mas também não é só isso... "essa boneca tem um manual"! eu não sou apenas, eu sou EU! sou única, sou singular, sou estrela. sou objeto, sou nome próprio. tenho meu eu, minha própria graça.
mas que meu próprio eu tá bem sem graça hoje, ah isso tá!
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