bolada

acabo de fazer um bolo! o cheiro delicioso está inundando o apartamento... os vizinhos devem estar falando: "hum, tem alguém fazendo bolo por aí!" o bolo está lindo e deve estar delicioso! cresceu bem e está maravilhosamente dourado.

há algum tempo atrás eu era a rainha dos bolos. filha de uma boleira de primeira, que tem uma recetinha super secreta e fantástica de família, só podia dar nisso: uma maravilhosa boleira! eu fazia bolos de todos os tipos, de todos os sabores. todos deliciosos, no ponto certo e macios. mas eu perdi a mão. meus bolos saem solados, queimados ou duros como madeira. o que aconteceu? eu não sei. passei dos 30, será que é isso? casei, será que é isso? larguei a profissão que cursei, será que é isso? também casei, tive um filho, emagreci, comprei um sutiã cor-de-rosa... será que é isso?

não sei. só sei que eu mudei. não sou mais a mesma. não me descontrolo mais nos gastos, não tenho mais medo de ter filhos, não acredito mais nas forças ocultas, não sonho mais ser atriz, não tenho mais mão boa pra bolo.

-mas peraí! se você falou que não acerta mais fazer bolo, como o bolo que você falou que o bolo que acaba de fazer está uma maravilha?

-como?

-é um bolo de pacote, da dona benta, sabor baunilha. basta adicionar 3/4 de xícara de leite gelado, duas colheres de manteiga e 3 ovos. fácil, uma maravilha! eu recomendo.

falta

meu filho teve a brilhante idéia de acordar às 5:30 da madruga. estou um bagaço. estou mal-humorada. estou irritada. estou tensa. preciso de ajuda. preciso trabalhar. preciso fazer as contas do mês. preciso lavar a louça do almoço.

já sei...

vou ligar no canal pornô! tchau!

síndrome de estocolmo?

às vezes nós mesmas nos prendemos ao que nos prende. hoje meu filho saiu e vai passar o dia fora. eu fiquei com receio de permitir que ele passasse o dia fora. receio do que? não sei.

talvez receio de ficar livre demais, receio de não sentir saudades dele, receio de não ter do que reclamar hoje.

mas consegui liberá-lo e consegui me liberar. pelo menos hoje...

reclamaradianta.com.br

reclame... mas se faça entender!

grite, esperneie e xingue se for necessário... mas se faça ouvir!

eu reclamei e reclamei e reclamei. precisei até de mais que isso: chorei, fiz chantagem emocional, ameacei. mas meu teatro só funcionou porque era tudo verdade. por mais incrível que pareça, o texto era a mais pura verdade. e apesar dele saber que sou uma excelente atriz, ele também sabe que era verdade.

salva-vidas

o último final de semana fez com que a paixão - e, por consequência, o casamento - continuasse a boiar. sim, porque do jeito que tava faltava pouco, muito pouco pra afundar.

um jantar, um motel, uma festa. nestes dias me senti bonita, me senti querida, me senti notada. me senti viva.

ouvidos "mocos"

quinta feira passada, depois de mais de 13 meses que meu filho nasceu eu e meu marido enfim saímos sozinhos! não foi nada demais, foi apenas um cineminha perto de casa. mas foi muito pra mim... foi uma verdadeira conquista!

já tem algum tempo que eu insistia com ele que precisávamos sair sozinhos, mas ao contrário da maioria dos casais, era ele quem sempre dava pra trás. o que ouço de outras mães é que o marido implora a elas por uma saída a dois e elas dizem que não querem por ter pena de deixar a criança em casa.

mas aqui é justamente o contrário, ele é quem tem pena de deixar o menino. tem medo de alguma coisa acontecer. tem medo de tudo. tem muitos medos... "e de me perder, você não tem medo de me perder?" falei e vi seu semblante mudar. "agora que você me falou..."

como assim agora???? tem pelo menos uns 3 meses que eu falo com ele isso! mas só agora percebi que ele não escutava. ou se fazia de surdo...

nem tão secreto...

bom, não me contive e acabei falando pros meus dois melhores amigos sobre este blog. mas é bom poder falar pra alguém. e especialmente pra eles que são as pessoas que eu sempre finjo estar me escutando quando eu falo sozinha.

sim, eu falo sozinha...

crise

estou vivendo uma crise. crise profissional, crise de esposa, crise pessoal.

durante a gravidez do meu filho eu decidi dar um tempo no trabalho pra me dedicar à ele. sempre quis ser mãe e minha vida pessoal sempre esteve à frente da minha vida profissional. sempre foi assim. então parar foi natural pra mim, foi uma escolha exclusicamente minha e não me arrependo. até uns seis, sete meses de meu filho eu realmente não queria saber de trabalhar. foi um período intenso, muito feliz e muito tranquilo também.

com o passar do tempo, no entanto eu comecei a achar que precisava ter minha vida própria. eu vivia para o meu filho e meu marido e afirmo novamente: NÃO me arrependo! mas a partir daí eu quis prosseguir com minha vida, com meus projetos, com o meu caminho. amo muito meu marido e meu filho, mas também preciso de uma vida que não seja a que tenho com eles. claro que a vida com eles é preciosa, é querida... mas quero mais, preciso de mais... e vou ter mais.

o ruim disso tudo é que eu não sou uma pessoa nada tranquila. essa poderioa ser uma constatação simples e eu seguiria minha vida, voltando a trabalhar. mas essa transição está sendo muito sofrida, muito difícil, muito cheia de culpas e incertezas. e sobra pro meu filho e pro marido .

porquê?
estive pensando no porquê de ter este blog. acho que é porque pereciso urgentemente de algo só meu. algo que não seja pelo meu marido nem pelo meu filho. algo que eu não precise ficar explicando o porquê.
começando...

não sou mais tão menina assim, tenho 30 e poucos anos, sou casada e tenho um lindo filho de 1 ano.

este blog é secreto, as pessoas que me conhecem não sabem da existência dele. é o meu canto, onde quero falar o que não falo pra ninguém, o que meus olhos escondem.

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